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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

As fábricas da Ford no Brasil nem bem esfriaram e já tem montadora chinesa de olho nelas.

Pelo menos quatro grandes marcas do país asiático se movimentam para produzir carros em Camaçari (BA) e Horizonte (CE), um dia depois de o fabricante norte-americano anunciar o fechamento das linhas de montagem. Nesta ofensiva, o Grupo Caoa surge como possível acionista das empreitadas. Segundo fontes de mercado, Great Wall, Changan, GAC Motor e Geely estão interessados em ficar com o espólio da Ford, ou seja: produzir nas duas unidades nordestinas. A Caoa negocia com as empresas no intuito de formar uma sociedade nos moldes que estabeleceu com a Chery - em 2017, a empresa brasileira comprou 50% as operações da chinesa por aqui. Além de entrar como acionista, o grupo - que produz Chery e Hyundai e representa a Subaru por aqui - já estaria em negociações com o Governo da Bahia. As marcas chinesas, por sua vez, também atacam em outras frentes e podem entrar diretamente no negócio, sem intermediários - até porque a Caoa tem a Chery, rival destas empresas. Ainda de acordo com fontes, a Great Wall estaria "na liderança" nesta corrida. Um dos principais fabricantes de automóveis da China, a gigante asiática "namora" há bastante tempo o Brasil e teria mais agilidade e recursos para iniciar uma produção em solo brasileiro até 2022. Haval 6 pode ser o SUV médio que a Great Wall produzirá na antiga fábrica da Ford na Bahia Crédito: Divulgação A ideia é fabricar SUVs da família Haval, como a nova geração do H6, lançada em agosto. Com 4,61 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,72 m de altura e 2,69 m de entre-eixos, é um pouco maior que o Jeep Compass e atuaria no segmento de utilitários esportivos médios. Lá fora, o H6 usa motores 1.5 e 2.0, com 120 e 140 cv de potência e caixa automatizada de dupla embreagem e sete marchas. Outro modelo que pode ser produzido por aqui é o Haval H2. Este brigaria na base do mercado, com Nissan Kicks, Volkswagen Nivus, Renault Duster e cia. São 4,36 m de comprimento e 2,56 m de entre-eixos, porte parecido com o do... futuro falecido Ford EcoSport. Série P, a picape média da GWM, marca da Great Wall, para rivalizar com Hilux e companhia Crédito: Divulgação A Great Wall também atacaria no segmento de picapes médias com sua divisão GWM, mercado, a propósito, que a marca domina na China. A linha Pao, ou Série P, inclusive, já tem registro no INPI. O modelo concorreria com Toyota Hilux, Chevrolet S10 e a Ford Ranger. Changan Cs15: SUV compacto para tentar a sorte na base do mercado brasileiro de crossovers Crédito: Divulgação A Changan, que já esteve entre nós inicialmente como Chana (lembra?), é outra com forte desejo de voltar. E também se vale de extenso portfólio de SUVs. Globalmente, são oito utilitários e crossovers diferentes. O mais provável para cá seria o CS15, outro para competir no segmento de entrada, e o CS35, que apontaria na categoria de Hyundai Creta, Honda HR-V e VW T-Cross. Outra que já esteve por aqui foi a Geely, mas de forma (muito) rápida. O Grupo Gandini, que importa Kia para o Brasil, lançou o sedã EC7 e o subcompacto GC2 (aquele que parece um ursinho panda) em 2014, mas os carros não vingaram nem um ano por aqui. Também tem uma linha bastante variada de modelos, inclusive SUVs.

CoronaVac: Butantan anuncia que eficácia geral da vacina contra covid-19 é de 50,38%

Testes da CoronaVac começaram em maio na China *O título e o texto da reportagem foram atualizados na terça (12/1).FONTE-BBC NEWS BRASIL... O governo de São Paulo anunciou, nesta terça-feira (12/01), os resultados dos testes de eficácia da CoronaVac, a vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que está sendo desenvolvida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan. De acordo o diretor de pesquisa do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, os estudos apontaram que a eficácia geral da vacina é de 50,38%. O dado foi obtivo com testes feitos em 12.508 voluntários no país, todos profissionais de saúde. Segundo Palácios, os profissionais de saúde foram escolhidos porque têm uma exposição maior ao vírus. Esse dado é a taxa global de eficácia da CoronaVac, ou seja, os desfechos primários, que incluem todas as pessoas que ficaram doentes independentemente da gravidade da doença. "[O teste] não é a vida real exatamente. É um teste artificial, no qual selecionamos dentro das populações possíveis, selecionamos aquela população que a vacina poderia ser testada com a barra mais alta. A gente quer comparar os diferentes estudos, mas é o mesmo que comparar uma pessoa que faz uma corrida de 1km em um trecho plano e uma pessoa que faz uma corrida de 1 km em um trecho íngreme e cheio de obstáculos. Fizemos deliberadamente para colocar o teste mais difícil para essa vacina, porque se a vacina resistir a esse teste, iria se comportar infinitamente melhor em níveis comunitários", afirmou Ricardo Palácios no anúncio. O pedido de uso emergencial da vacina foi feito à Anvisa na sexta-feira, segundo o Butantan. A taxa global de eficácia recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Anvisa é de, ao menos, 50%. As duas etapas anteriores da pesquisa feitas no Brasil já haviam atestado que a CoronaVac é segura e produz uma resposta do sistema imunológico, de acordo com o governo de São Paulo. Dimas Covas, diretor do Butantan, disse que a vacina "tem segurança, eficácia e tem todos os requisitos que justificam seu uso emergencial." Palácios explicou que o instituto foi extremamente rigoroso nos estudos. "Na definição de casos que utilizamos, usamos os sintomas mais abrangentes possível. Outros estudos não incluiriam como caso dois dias de dor de cabeça, dois dias de coriza. Foi uma definição extremamente abrangente para poder capturar até o caso mais leve possível", afirmou. O Butantan não digvulgou qual seria a cobertura vacinal necessária da CoronaVac para impedir o avanço da covid-19. Embora a vacina seja extremamente segura e tenha eficácia contra o vírus, ainda não há dados que mostrem que ela é capaz de erradicar a pandemia, explicou Palácios. "Ela vai erradicar, eliminar a doença? O estudo não permite determinar isso. Precisaremos fazer estudos de efetividade, nos quais a gente verifique qual impacto que tem em geral nas comunidades vacinadas", afirmou. Confusão com dados anteriores Na semana passada o instituto havia divulgado dados preliminares de que a vacina evitou 78% de casos leves e proteção total (100%) contra mortes, casos graves e internações nos voluntários vacinados que foram contaminados. Nenhum dos infectados precisou de internação hospitalar, informou o Instituto Butantan. A ausência da eficácia geral no anunciou anterior foi alvo de muitas críticas de cientistas e profissionais de saúde e gerou uma confusão, levando algumas pessoas a pensarem que o dado de 78% era o dado de efiácia geral. Nesta segunda-feira (11/01), a CoronaVac foi aprovada pelas autoridades sanitárias da Indonésia. Os testes clínicos de fase 3 feitos neste país do Sudeste Asiático indicaram uma taxa de eficácia global de 65,3%. A previsão é que as campanhas de imunização sejam iniciadas por lá na quarta-feira (13/01). A taxa global de eficácia recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Anvisa é de, ao menos, 50%. As duas etapas anteriores da pesquisa feitas no Brasil já haviam atestado que a CoronaVac é segura e produz uma resposta do sistema imunológico, de acordo com o governo de São Paulo. OMS: vacina obrigatória contra covid-19 pode ser necessária em países com baixa adesão voluntária e alto contágio Vacina contra covid-19: países ricos reservam doses e deixam países pobres sem, adverte aliança A fase 3 da pesquisa investigava se ela de fato impedia que uma pessoa ficasse doente ao ser infectada pelo Sars-Cov-2. Originalmente, o governo paulista previa divulgar uma análise preliminar da eficácia em 15 de dezembro, mas concluiu que já tinha condições de fazer uma análise completa dos resultados, porque já tinha ao menos 170 voluntários com casos de covid-19 confirmados, um parâmetro estabelecido pelo protocolo do estudo, e adiou o anúncio para janeiro. Com base nesta série de resultados, o governo paulista e o Butantan enviaram à Anvisa o pedido de autorização para o uso emergencial e o registro definitivo da vacina no país. De acordo com informações divulgadas no sábado (09/01), a Anvisa rejeitou parte da documentação enviada pelo Butantan e requisitou novos dados sobre as pesquisas. Pedidos como este são normais e fazem parte do processo de avaliação antes da aprovação para uso geral. Em 21 de dezembro, a agência já havia feito a certificação da fábrica da CoronaVac na China, após fazer uma inspeção nas instalações. Este é um dos pré-requisitos para o registro da vacina no Brasil. Obter o aval da agência será fundamental para que o governo de João Doria (PSDB) consiga colocar em prática o plano de vacinação no Estado de São Paulo, com previsão de início em 25 de janeiro. Simultaneamente, a Sinovac deverá pedir o registro da vacina à Administração Nacional de Produtos Médicos, a equivalente da Anvisa na China. A expectativa é que o registro seja concedido em três dias. Isso deverá pressionar a agência brasileira, porque a lei 13.979 obriga a Anvisa a conceder autorização "excepcional e temporária" para medicamentos considerados essenciais no combate à pandemia que tenham sido registrados pela agências do Japão, da China, dos Estados Unidos ou da Europa. A autorização tem que ser concedida até em 72 horas após o pedido ser feito à agência brasileira. Caso a Anvisa não se manifeste, isso ocorre automaticamente. O prazo normal para análise de registro permanente de vacinas contra a covid-19 é de até 60 dias. Esse trecho da lei chegou a ser vetado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas o veto foi derrubado pelo Congresso Nacional. O entendimento da lei foi ratificado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu uma liminar neste sentido em 17 de dezembro. A questão ainda será apreciada pelo plenário da Corte. Línea

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Criminosa a ser executada nos EUA: quem é Lisa Montgomery, autora de assassinato chocante e vítima de abusos

Alessandra Corrêa De Washington (EUA) para a BBC News Brasil --- Lisa Montgomery será a primeira mulher executada pelo governo federal em quase 70 anos A única mulher no corredor da morte federal dos Estados Unidos, onde estão os presos condenados à pena capital em julgamentos em tribunais federais, deverá ser executada nesta semana, por injeção letal, na penitenciária de Terre Haute, em Indiana. A execução de Lisa Montgomery, de 52 anos, marcada para terça-feira (12/1), será a primeira de uma mulher levada adiante pelo governo federal americano em quase 70 anos. O último caso do tipo foi o de Bonnie Brown Heady, executada em 1953 na câmara de gás pelo sequestro e morte de um menino de seis anos de idade. O crime cometido por Montgomery chocou os EUA e é descrito pelo Departamento de Justiça como "especialmente hediondo": em 2004, ela matou uma grávida, cortou sua barriga e sequestrou o bebê. Quem foi Brandon Bernard, executado 'às pressas' antes de fim do governo Trump Condenada por matar grávida e roubar bebê será primeira mulher executada por governo dos EUA em quase 70 anos Mas advogados que estudaram o caso depois da condenação apontaram falhas na defesa e dizem que, se o júri soubesse na época da extensão dos abusos sofridos por Montgomery, incluindo estupros desde a infância, e das evidências de seus problemas mentais, ela talvez não tivesse sido sentenciada à morte. ADVERTISEMENT "Se as pessoas entendessem como ela chegou ao ponto de cometer esse crime, compreenderiam que ela sofre de doença mental grave e que essa doença é fruto do trauma que ela viveu", diz à BBC News Brasil a professora de Direito Leigh Goodmark, da Universidade de Maryland, que é especialista em casos de violência doméstica. Pule Talvez também te interesse e continue lendo Talvez também te interesse Criança com a mãe 4 efeitos do racismo no cérebro e no corpo de crianças, segundo Harvard Maradona Morre Diego Maradona, aos 60 anos Corredor de hospital Coronavírus: mortes suspeitas acendem alerta sobre total de vítimas no Brasil Alexandra Loras 'Racismo no Brasil está por todo o lado; eu mesma sou alvo', diz ex-consulesa da França Fim do Talvez também te interesse "O abuso e a tortura a que ela foi submetida não são desculpa para nada, mas são centrais para entender por que ela fez o que fez", afirma Goodmark. Sua defesa entrou com pedido de clemência e pede que o presidente Donald Trump transforme a pena de Montgomery em prisão perpétua. O crime Montgomery tinha 36 anos quando, em 16 de dezembro de 2004, dirigiu por quase três horas de sua casa em Melvern, no Kansas, até Skidmore, uma cidadezinha de menos de 300 habitantes na zona rural do Estado vizinho de Missouri. Seu destino era a casa de Bobbie Jo Stinnett, uma jovem de 23 anos de quem ela havia se aproximado pela internet. Stinnett e o marido, Zeb, de 24 anos, esperavam o primeiro filho, e ela estava no oitavo mês de gestação. Eles eram criadores de cães, e Montgomery usou nome e e-mail falsos para marcar a visita, sob o pretexto de comprar um filhote. Ao anunciar o agendamento da execução de Montgomery, em outubro do ano passado, o Departamento de Justiça detalhou o crime desta maneira: "Dentro da residência, Montgomery atacou e estrangulou Stinnett, que estava grávida de oito meses, até que a vítima perdeu a consciência. Usando uma faca de cozinha, Montgomery então cortou o abdome de Stinnett, o que fez com que ela retomasse a consciência. Uma luta se seguiu, e Montgomery estrangulou Stinnett até a morte." Montgomery usou uma corda para estrangular Stinnett. Ela então removeu o bebê do corpo da mãe e o levou de volta à casa que dividia com o marido, Kevin, no Kansas. Ela tentou fingir que o bebê era seu. Bobbie Jo Stinnett CRÉDITO,JENA BAUMLI Legenda da foto, Bobbie Jo Stinnett foi estrangulada e teve sua barriga aberta O corpo de Stinnett foi encontrado horas depois por sua mãe, Becky Harper. "É como se ela tivesse explodido", disse Harper, aos prantos, na ligação ao serviço de emergência. "Há sangue por todos os lados." No dia seguinte, a polícia chegou à casa de Montgomery e a encontrou com o bebê, uma menina que, apesar de ter sido retirada do ventre de maneira prematura, sobreviveu. Montgomery confessou o crime e foi presa, e a menina foi entregue a Zeb. Ela foi criada pelo pai, de quem recebeu o nome de Victoria Jo. O julgamento A gravidade do crime e a culpa de Montgomery nunca estiveram em dúvida, e em outubro de 2007 ela foi condenada por sequestro e assassinato. Depois da condenação, o júri ainda precisava decidir qual seria sua sentença. Os jurados ouviram depoimentos da mãe de Stinnett, que descreveu a filha como uma pessoa inteligente e divertida. O marido, Zeb, falou do entusiasmo do casal ao planejar a chegada da primeira filha e disse que a morte da mulher "devastou" sua vida. Nos EUA, em casos passíveis de pena de morte, a equipe de defesa costuma apresentar nesta fase do julgamento evidências que possam mitigar a sentença, como histórico de abusos, problemas mentais ou outros aspectos que possam convencer o júri a poupar o réu da morte. Mas advogados que se debruçaram sobre o caso anos depois dizem que a defesa de Montgomery, liderada por um defensor público sem experiência em casos de pena capital e por um advogado que teve vários outros de seus clientes condenados à morte, foi marcada por falhas. A teoria apresentada ao júri, de que ela sofria de pseudociese, doença mental rara em que a mulher acredita estar grávida e exibe sintomas de gravidez, não batia com os fatos. A defesa não mostrou evidências cruciais da exploração sexual e torturas sofridas por Montgomery desde a infância e nem explicou o impacto disso em seu comportamento. A acusação descreveu o que foi apresentado como "desculpa de abuso". Depois de apenas cinco horas de deliberação, os jurados recomendaram por unanimidade a pena de morte. Os abusos Montgomery cresceu em uma família disfuncional, marcada por pobreza, violência, dependência de drogas e doença mental, na qual as crianças eram espancadas constantemente. Lisa Montgomery quando crianca CRÉDITO,ADVOGADOS DE LISA MONTGOMERY Legenda da foto, Desde cedo na infância, Lisa Montgomery era estuprada pelo padrasto Seu pai abandonou a família quando ela era pequena. Sua mãe, Judy, casou seis vezes e teve vários outros parceiros. Ela é descrita em documentos sobre o caso como negligente e violenta. A meia-irmã de Montgomery, Diane, quatro anos mais velha, começou a ser estuprada aos oito anos de idade, inicialmente por um amigo da mãe. Elas dormiam no mesmo quarto, e Montgomery, aos quatro anos de idade, assistia ao abuso sofrido pela irmã. Assistentes sociais acabaram retirando Diane da casa, mas não Montgomery. A partir dos 11 anos de idade, Montgomery começou a ser abusada sexualmente pelo padrasto. Os estupros aconteciam em seu quarto, e ele ameaçava estuprar sua irmã menor se ela resistisse e matar a família inteira se ela contasse a alguém. Em algumas ocasiões, ele batia com a cabeça da menina no chão de concreto enquanto a estuprava. A família mudava de endereço frequentemente. Montgomery viveu em 17 lugares diferentes em seus primeiros 14 anos de idade. Quando se mudaram para um trailer em uma área isolada, ao final de uma rua sem saída, o padrasto ergueu um cômodo pequeno ao lado, onde podia estuprar a enteada sem ser perturbado. Ao descobrir sobre o abuso, Judy culpou a filha. Quando Montgomery tinha 15 anos, começou a ser estuprada regularmente por vários outros homens, às vezes ao mesmo tempo, que eram levados ao local pela mãe e pelo padrasto, em troca de dinheiro. Segundo documentos sobre o caso, muitas vezes os homens urinavam na menina depois do ataque. Casa onde aconteceu o crime está abandonada hoje CRÉDITO,TIM MYERS Legenda da foto, Casa onde aconteceu o crime está abandonada hoje Ao longo dos anos, várias pessoas ficaram sabendo dos estupros, mas ninguém nunca reportou ou denunciou os abusos. Montgomery chegou a contar o que acontecia a um primo que era policial. Segundo documentos, ele disse que ela "chorava e tremia" enquanto relatava os estupros, mas ele também não denunciou o crime. Vida adulta Quando Montgomery tinha 18 anos de idade, foi pressionada pela mãe a casar-se com Carl Boman, filho de um namorado de Judy. Documentos sobre o caso dizem que Boman era abusivo. Ela teve quatro filhos em cinco anos. Depois que Montgomery teve o quarto filho, sua mãe a pressionou a se submeter a esterilização. Ela se separou de Boman e depois casou-se pela segunda vez, com Kevin Montgomery. A saúde mental de Montgomery continuou a se deteriorar com o passar dos anos e, segundo psicólogos e advogados que estudaram o caso, seu comportamento passou a ficar cada vez mais errático e ela não conseguia cuidar dos filhos nem de si mesma. Dois dias antes do crime, Boman, o ex-marido, entrou na Justiça para obter a custódia de dois dos filhos do casal. Montgomery havia dito ao novo marido que estava grávida, e Boman sabia que isso era impossível, já que ela havia sido esterilizada. Ele ameaçou expor a mentira e usar isso para garantir a guarda dos filhos. Não era a primeira vez que Montgomery fingia estar grávida. Os danos A psicóloga Katherine Porterfield, especializada no tratamento de sobreviventes de tortura e trauma, entrevistou Montgomery por vários dias em 2016, como parte do processo de apelação, e disse que o impacto do abuso foi enorme e que seu caso é um dos mais severos de dissociação da realidade que já viu. No relato de suas conclusões, Porterfield escreveu que "os tipos de eventos traumáticos que Lisa viveu são capazes de gerar danos no desenvolvimento e personalidade" de uma pessoa. Documentos sobre o caso revelam que Judy abusou de álcool durante a gravidez, o que provocou danos orgânicos no cérebro de Montgomery. Além desses danos apresentados desde o nascimento, Montgomery também sofreu lesões cerebrais ao longo dos anos de abuso. Especialistas que estudaram seu caso dizem que os traumas sofridos desde a infância exacerbaram sua predisposição genética para doenças mentais. Exames de ressonância magnética e tomografias por emissão de pósitrons mostram danos em seu cérebro. Segundo o Centro sobre a Pena de Morte da Faculdade de Direito da Universidade de Cornell, desde que foi presa, ela foi diagnosticada com uma série de problemas mentais e neurológicos, entre eles transtorno dissociativo, transtorno de estresse pós-traumático complexo (TEPT-C), transtorno bipolar, epilepsia do lobo temporal e depressão. A execução Diversas entidades de defesa de direitos humanos se manifestaram contra a execução, entre elas a organização nacional de direitos civis União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que pediu a suspensão da execução até que possa analisar o caso. Ativistas protestam contra a pena de morte nos EUA CRÉDITO,GETTY IMAGES Legenda da foto, Ativistas protestam contra a pena de morte nos EUA Segundo o Centro sobre a Pena de Morte da Universidade Cornell, "mais de uma dúzia de mulheres cometeram crimes semelhantes ao redor do país, e nenhuma além de Lisa foi condenada à morte". A execução de Montgomery estava inicialmente marcada para 8 de dezembro de 2020, mas foi adiada após seus advogados contraírem covid-19. Ela será a 11ª pessoa executada pelo governo federal durante o mandato de Donald Trump. Antes de Trump, o governo federal não executava ninguém desde 2003. Os 10 presos executados em 2020 representam o maior número em um único ano em mais de um século, desde 1896. As execuções federais nos EUA são reservadas a determinados tipos de crimes julgados em tribunais federais e costumam ser mais raras do que as execuções estaduais, que são aplicadas em crimes julgados por tribunais locais nos 28 Estados que permitem a pena de morte. Montgomery será executada oito dias antes da posse do presidente eleito, Joe Biden, que já anunciou sua intenção de acabar com a pena de morte federal. Outros dois prisioneiros também têm execução marcada para esta semana, antes de Trump deixar o poder. Os pedidos para que Trump seja misericordioso não são unânimes. De acordo com Gallup, embora o apoio à pena de morte nos EUA esteja em seu nível mais baixo em mais de 50 anos, 55% dos americanos ainda acreditam que a medida é uma punição apropriada para assassinato. Na cidade de Skidmore, onde Lisa Montgomery cometeu seu crime, esse apoio à pena de morte é ainda mais palpável. "Bobbie merecia estar aqui conosco hoje. A família de Bobbie merecia", diz Meagan Morrow, uma colega de escola de Stinnett. "E Lisa merece pagar." Línea Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

A corrida nos EUA para evitar que milhões de vacinas acabem no lixo enquanto mortes por covid-19 batem recorde

21,4 milhões de doses foram enviadas a hospitais e departamentos de saúde ao redor do país, mas somente 5,9 milhões pessoas já foram vacinadas, segundo dados oficiais Quando a enfermeira Sandra Lindsay virou notícia como a primeira pessoa nos Estados Unidos a receber a vacina contra a covid-19, em 14 de dezembro, o plano do governo federal era imunizar 20 milhões de pessoas até o fim de 2020. Quase um mês depois, 21,4 milhões de doses foram enviadas a hospitais e departamentos de saúde ao redor do país, mas somente 5,9 milhões pessoas já foram vacinadas, segundo dados do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde). Enquanto o país continua a registrar recordes diários no número de mortos pela doença, com um total de mais de 21 milhões de infectados e mais de 370 mil óbitos, atrasos e problemas de logística fazem com que milhões de doses corram o risco de expirar antes de serem distribuídas. Apesar de o volume disponível até agora ser limitado, especialistas afirmam que o problema principal não é escassez, e sim dificuldades de distribuição. ADVERTISEMENT O governo federal diz que a responsabilidade de distribuir a vacina é de cada Estado, mas autoridades estaduais e locais reclamam que precisam de mais apoio e não têm estrutura, mão de obra ou recursos financeiros para desempenhar a tarefa, especialmente quando já estão sobrecarregadas com casos e hospitalizações por covid-19. Pule Talvez também te interesse e continue lendo Talvez também te interesse Criança sendo vacinada junto da mãe Coronavírus: os julgamentos do STF sobre vacinas que podem mudar o rumo do combate à pandemia vacina Coronavírus: por que desafio não é só desenvolver vacina contra covid-19, mas fazê-la chegar a quem precisa Homem a ponto de ser vacinado Vacina de Oxford: com eficácia de até 90%, imunizante tem vantagens de custo baixo, armazenamento e produção Mão com luva segura vacina diante de logo da CoronaVac CoronaVac: Butantan afirma que vacina evitou 78% de casos leves e 100% de graves em testes; entenda Fim do Talvez também te interesse As condições especiais de refrigeração exigidas para preservar as vacinas também representam um desafio. Além disso, problemas de planejamento, coordenação e comunicação fazem com que muitos hospitais nem saibam quando, qual ou quantas vacinas vão receber. Para a população, é muitas vezes difícil obter informações sobre quando e onde receber a vacina. "Fazer a vacina chegar do fabricante até os Estados, isso está andando", diz à BBC News Brasil o especialista em doenças infecciosas e preparação para pandemias Amesh Adalja, do Centro para Segurança de Saúde da Universidade Johns Hopkins. "Mas os Estados não estão conseguindo vacinar, colocar a agulha no braço das pessoas, de maneira rápida o suficiente", afirma. Ritmo lento Enfermeira é vacinada nos Estados Unidos CRÉDITO,MARK LENNIHAN/POOL VIA REUTERS Legenda da foto, Em 14 de dezembro, enfermeira Sandra Lindsay virou notícia como a primeira pessoa nos Estados Unidos a receber a vacina contra a covid-19 O ritmo mais lento do que o esperado no que é considerada a maior campanha de vacinação na história dos Estados Unidos vem provocando frustração, principalmente depois de cientistas terem conseguido desenvolver vacinas contra a nova doença em tempo recorde. Em dezembro, o país aprovou duas vacinas para uso emergencial, uma fabricada pela Pfizer-BioNTech e outra pela Moderna. Ambas exigem duas doses, com algumas semanas de intervalo. A vacina da Pfizer-BioNTech também precisa ser mantida em temperaturas extremamente baixas, de cerca de 70°C negativos, o que representa um maior desafio logístico. Nas unidades de refrigeração disponíveis na maioria dos hospitais, as vacinas podem ser preservadas por no máximo 35 dias. Com isso, caso não sejam usadas a tempo, as primeiras remessas recebidas em dezembro podem expirar já neste mês. Nesta fase inicial, os grupos prioritários para receber a vacina são trabalhadores do setor de saúde e residentes e funcionários de lares de idosos. Mas há casos ao redor do país de hospitais e locais de vacinação que tiveram de oferecer doses a pessoas aleatórias, fora dos grupos prioritários, em um esforço de última hora para evitar que vacinas acabassem no lixo. Em um hospital na Califórnia, funcionários tiveram de correr contra o tempo depois de problemas no freezer onde as vacinas estavam armazenadas. Como todas as doses iriam estragar em duas horas, eles improvisaram locais de vacinação e recrutaram voluntários médicos para distribuir as vacinas a quem quisesse ser imunizado. Um caso semelhante foi registrado em Kentucky. Na capital do país, Washington, um jovem relatou em um vídeo que viralizou no TikTok sua experiência ao ser abordado, ao lado de um amigo, pela funcionária de uma farmácia localizada em um supermercado. Segundo ele, a funcionária disse que iria fechar em poucos minutos e tinha duas doses de vacina que iriam para o lixo caso não fossem aplicadas imediatamente, já que não poderiam ser preservadas em temperatura ambiente. As doses estavam reservadas originalmente para trabalhadores do setor de saúde que não compareceram ao local. Há também relatos de sabotagem, como em Wisconsin, onde o funcionário de um hospital retirou frascos do sistema de refrigeração, fazendo com que 500 doses fossem estragadas. Pressão Diante dos atrasos, muitos governadores vêm pressionando hospitais a acelerarem a distribuição das vacinas. "Uma porção significativa das vacinas no Texas está parada em prateleiras de hospitais, em vez de ser distribuída a texanos vulneráveis", tuitou no fim do ano o governador Greg Abbott. Em Maryland, dados do início da semana indicavam que somente 34% das 163 mil doses enviadas a hospitais haviam sido usadas. O governador Larry Hogan ameaçou remover doses de hospitais que estão demorando demais na aplicação das vacinas e redirecioná-las para outros locais. "Nenhuma dose vai ficar parada em um freezer enquanto houver outros esperando (pela vacina)", disse Hogan em entrevista coletiva, ao anunciar que iria acionar a Guarda Nacional para ajudar na vacinação. No Estado de Nova York, o governador Andrew Cuomo ameaçou com multa de até US$ 100 mil (cerca de R$ 540 mil) os hospitais que não distribuíssem suas doses até o fim da semana. Enquanto Cuomo pressionava hospitais e municípios, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, apelava para que o Estado ampliasse a vacinação para além dos grupos prioritários, passando a incluir qualquer pessoa com 75 anos ou mais e trabalhadores essenciais. Apesar da orientação federal sobre grupos prioritários, os Estados têm autonomia para decidir seus planos de imunização, e alguns já estão ampliando a distribuição. A Flórida foi um dos que começaram a oferecer a vacina a todos com mais de 65 anos e a pessoas de qualquer idade com comorbidades, mas o esforço tem enfrentado problemas. Nesta semana, circularam pelo país imagens de idosos acampados em longas filas no Estado, esperando por horas e noite adentro, na rua, por uma chance de serem imunizados. Rejeição Seringa com bandeira dos Estados Unidos ao fundo CRÉDITO,GETTY IMAGES Legenda da foto, Diante dos atrasos, muitos governadores vêm pressionando hospitais a acelerarem a distribuição das vacinas Ao mesmo tempo em que muitos americanos esperam ansiosos por sua dose, inclusive com relatos de que milionários e pessoas influentes estariam tentando pagar para serem imunizados antes, vários Estados registram altos índices de rejeição por parte daqueles que já têm acesso garantido à vacina. Nesta semana, o governador de Ohio lamentou que 60% dos funcionários de lares de idosos no Estado, incluídos no grupo prioritário, se recusaram a receber a vacina. Em Nova York, calcula-se que esse número seja de 30%. Diante de relatos como esses, o cirurgião-geral dos Estados Unidos, Jerome Adams, principal porta-voz do governo federal para assuntos de saúde pública, disse que, se trabalhadores do setor de saúde não quiserem ser imunizados, os Estados devem rapidamente passar para outros grupos prioritários, como pessoas com mais de 75 anos e trabalhadores essenciais. "Nós já estávamos vendo pesquisas, antes mesmo do desenvolvimento da vacina, indicando que haveria hesitação. E acho que isso vai se tornar um problema à medida que mais pessoas fora dos primeiros grupos prioritários começarem a ser vacinadas", observa Adalja. "É preciso educar as pessoas sobre os riscos e benefícios da vacina. Ser transparente em relação aos dados sobre a vacina. E não permitir que o movimento antivacina defina os termos do debate", ressalta. Os Estados Unidos não são o único país a enfrentar um início caótico em seu esforço de vacinação contra a covid-19. Enquanto alguns países, como Israel, têm sido apontados como exemplo de sucesso, outros, como França, Espanha, Itália, Grécia, Holanda e Polônia registraram vários problemas, desde atrasos até falta de treinamento para equipes médicas e escassez de seringas. Mas o desafio nos Estados Unidos é agravado por um sistema de saúde sobrecarregado e uma campanha fragmentada. Como cada Estado pode definir seus planos de imunização, há grandes disparidades. "O problema é que os departamentos de saúde estaduais não estão recebendo apoio (suficiente) do governo federal. Não é questão de o governo federal assumir o controle (da distribuição), mas sim oferecer apoio aos Estados que precisarem", ressalta Adalja. Há relatos de Estados convocando trabalhadores médicos aposentados, dentistas e veterinários para ajudar a aplicar as vacinas. Desafios Cientista analisa amostras CRÉDITO,PA MEDIA Legenda da foto, Há relatos de Estados convocando trabalhadores médicos aposentados, dentistas e veterinários para ajudar a aplicar as vacinas Apesar de o principal desafio atual ser a distribuição, o volume limitado de vacinas também gera preocupação. A orientação inicial é aplicar somente metade das doses disponíveis. Como são necessárias duas doses para que uma pessoa seja imunizada, a outra metade do estoque fica reservada para quando quem já recebeu a primeira dose precisar do reforço. Alguns apelam para que mais doses sejam aplicadas imediatamente, aumentando o número de pessoas vacinadas, mesmo que a segunda dose seja atrasada. Mas propostas do tipo também enfrentam resistência, diante da falta de estudos que comprovem a eficácia de atrasar a segunda dose. Os problemas na distribuição das vacinas ocorrem depois de falhas em várias etapas da resposta ao coronavírus nos Estados Unidos, incluindo atrasos no desenvolvimento e distribuição de testes, rastreamento de contatos e isolamento de possíveis infectados e escassez de equipamentos de proteção individual nos primeiros meses da pandemia. O governo federal diz que, passados os feriados de fim de ano e as dificuldades iniciais, a expectativa é de que a distribuição seja acelerada. O presidente eleito, Joe Biden, que toma posse no dia 20 deste mês, prometeu reforçar apoio e financiamento aos Estados e distribuir 100 milhões de vacinas nos 100 primeiros dias de seu governo. Mas o desafio é complexo. Na última quinta-feira (7/01) o país ultrapassou pela primeira vez a marca de 4 mil mortos por covid-19 em um único dia. Segundo o CDC, o número total de mortes poderá ultrapassar 430 mil até o fim de janeiro. "Não importa quem esteja no comando, será um processo difícil vacinar basicamente a população adulta inteira dos Estados Unidos contra este vírus, com uma nova vacina, e fazer isso rapidamente", ressalta Adalja.Fonte-BBC NEWS BRASIL Línea